Crise, para os orientais, é uma oportunidade e todo nós, de um jeito ou de outro, vivenciamos crises. Algumas pessoas pensam que crises são problemas financeiros, outras questões existenciais, sociais, e há quem avalia que é de autoconhecimento, ou até crise profissional. Pode-se ver de outro jeito: problemas são desafios e crises são desafios que se apresentam a todos – como indivíduo e como grupos – e a todo instante.
Como ser humano, podemos vivenciar crises individuais, como por exemplo, crise na relação; e como coletividade podemos vivenciar crises regionais, nacionais e até planetária, como por exemplo, crise financeira e ecológica. Há até quem sugira que a solução da crise está em tirar o “s”, ficando somente o “crie”.
Existem teorias e mais teorias sobre a crise. Em dezembro, inclusive, no Oikos, espaço ecossustentável que moro em Criciúma, sul de Santa Catarina, vamos realizar pela quarta vez o seminário “Crises e Oportunidades” com o Dr. Mauro Pozatti.
Mas voltemos à crise, com “s”.
Fala-se muito em crises mundiais de valores, de ética, de crise espiritual e falta de amor. Os nossos sistemas educacionais já não dão mais conta a título de um modelo chato e pouco entusiasmante de ensinar. Os políticos, de forma geral, perderam a credibilidade e fazem da política um mar de lamas, onde os interesses pessoais e de grupos passam longe do bem comum de Rousseau. As religiões se avolumam, boa parte delas, sem dar uma resposta coerente para um avanço rumo a ecologia, a justiça social.
De todas essas crises, a que mais afeta diretamente a todos a curto prazo é a econômica. Como diz Marx. “é o econômico de que determina o social”. E a economia nos dias atuais está baseada no consumismo, na ávida compra.
Comprar o que não quer, para ser a pessoa que não é, para agradar quem não gosta, com o dinheiro que não tem. E o pior: extraindo tudo de um planeta que agoniza por esta economia pouco inteligente. Esse modelo extrai do planeta muito mais que ele pode nos oferecer, gerando mais e mais crise. O World Watch Institute confirma que se continuarmos com este ímpeto de consumir – consumir significa “sumir com” – já necessitamos de dois planetas Terra para a demanda.
O que falta dizer nessa crise econômica, principalmente a crise que vem da Europa, com países se atolando em dívidas, é que o consumidor de lá está se transformando. Principalmente os mais jovens. O perfil já não é mais daquele irresponsável que queria comprar, comprar, comprar; agora, são jovens mais conscientes, éticos e, principalmente, com autoestima suficiente para ter claro que o que vale é o “ser”, não o “ter”.
As montadoras na Europa estão preocupadíssimas, pois as vendas de automóveis estão baixando sensivelmente, provocando uma crise sem precedentes. Isso, as obriga a se transferirem para outros continentes, principalmente a América Latina, com destaque ao Brasil onde, ainda, a aparência persegue o ultrapassado sonho “fetichizado”.
Como expus no início deste artigo, crise é oportunidade. Que tenhamos sabedoria e conhecimento para percebermos que a crise econômica, no fundo, é uma crise de valores. E que novos paradigmas estão se sedimentando, forçando esta lei de mercado a se adaptar aos novos tempos, tempos onde a aquisição de algo precede a uma pergunta fundamental: “Eu quero ou eu necessito?”
* Psicólogo e escritor – www.oikos.org.br
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Caro Mhanoel,
Muito legal esse artigo! “Comprar o que não quer, para ser a pessoa que não é, para agradar quem não gosta, com o dinheiro que não tem”, “Eu quero ou eu necessito?” com essas frases em mente podemos redirecionar nossos impulsos na hora da compra. Quanto realmente eu preciso ter? qual é a linha entre o conforto necessário e o desejo de se aparecer? Qual exemplo estamos seguindo, fantasia ou realidade? Às vezes a realidade de uma pessoal não passa de fantasia para outra.
Forte abraço!
Daniel Tomazi