Seu Volmir

Gentileza* Mhanoel Mendes

Os especialistas em redes sociais nos orientam a escreves posts curtos, rápidos e bem objetivos. No máximo de quatro linhas para as pessoas lerem, curtirem e compartilharem. Tudo pra ter mais visibilidade. No dia 15 de abril, fiz uma publicação em meu FaceBook que comprovou, pelo menos naquela situação, que o que estes especialistas dizem não é assim tão confiável.

Pra minha surpresa, foram 335 curtidas, 16 compartilhamentos e 34 comentários. Dentre os comentário, destaco dois. O de Claudia Americo, onde dizia que “devemos acreditar que gentileza e amor existe entre os seres humanos!!!! E podemos cruzar com muitos Volmir e podemos sê-los também!!!” Também ressalto o que escreveu Fernanda Fernandes de Souza: “Linda sensibilidade, lindo gesto, mais linda ainda a observação – boa noite senhor como está”?”

Está curioso para ler o post? Ei-lo, na íntegra.

“Eram 17:50h desta quarta-feira, 15/4, quando estacionei o carro no posto Barp do bairro Pinheirinho, em Criciúma/SC. Estava escuro e caía uma chuva forte. Abri o vidro e ia pedir que abastecesse e, pra minha surpresa, fui recebido pelo frentista Volmir com um grande sorriso nos lábios, olhar no meus olhos e voz firme:
– Boa noite senhor, como está?
Quebrou-me. Antes de perguntar qual combustível, quanto ia abastecer, ele me cumprimentou, se interessou por mim. Nossa!
Seu Volmir é um senhor de meia idade, baixo, um pouco acima do peso e moreno. Ficava engraçado naquele avental padrão da Ipiranga.
“Como agradecer a acolhida deste senhor”, pensava? “Como vou fazer ele entender que aquele gesto simples me tocou o coração e que estava agradecido?”
– “Vou rezar por ele, vou enviar energias positivas, desejar paz, plenitude”. “Vou falar do ocorrido para o gerente?”…
Fiz um pouco de tudo isso, mas não me contive. Abri minha carteira, paguei o combustível e, tirando um dinheirinho extra, disse:
– Este é pra ti.
E me despedi.
Pelo retrovisor percebi que aquele senhor entendeu minha mensagem, quando ainda pude vê-lo abanando pra mim e indo ao encontro do motorista do carro que já estacionava atrás de mim.
– Boa noite, senhor. Como está?”

* Jornalista, agricultor, psicólogo – www.oikos.org.br

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