Os Dois Tipos de Amor

artigoMhanoel Mendes

C.S. Lews dividiu o amor em dois: o amor-carência e o amor-doação. Para ele, o amor-carência ou amor-deficiência depende do outro; é amor imaturo. Na realidade não é amor, é uma dependência, uma necessidade.

Para vivenciar verdadeiramente o amor, primeiramente, sugere ele, torne-se. Aprecie-se. Ame-se; ame-se a si mesmo. Primeiro torne-se tão autêntica e verdadeiramente feliz que se ninguém vier, isto não importa; você está repleto, transbordando. Se ninguém bate a sua porta, está perfeitamente bem – você não está sentindo falta, não está esperando que alguém venha e bata a sua porta. Está em casa. Se alguém vier, isso também é bom e lindo.

Quando você depende do outro, sempre há miséria. Há jogo e ninguém ganha. O amor não é dependente, pelo contrário, é independente. Tudo acontece, independente do outro. O outro não é questão fundamental para eu existir.

Se eu deixo o outro me “mandar” eu também quero mandar no outro. Assim se inicia um jogo cujo final todos conhecemos. “O amor é uma flor da liberdade – ele precisa de espaço”. O outro não deve interferir com ele. De que adianta viver numa gaiola de ouro?

Só uma pessoa madura pode vivenciar o amor-doação porque só uma pessoa madura tem. A pessoa madura sabe o que é solitude, solidão; ela já passou pelo deserto da crise existencial, pela noite escura da alma. Já sentiu a dor medular do sofrimento, da tristeza. Enfrentou questões, padrões e, como fênix, ressurgiu das cinzas para brilhar e ser.

Dois amantes verdadeiros estão sempre disponíveis, mas nunca pensando, nunca tentando encontrar a felicidade. Então nunca estão frustrados porque sempre que ela acontece, acontece. Eles criam a situação. Se você está feliz consigo mesmo, você já é a situação, e se o outro também está feliz consigo mesmo, ele também é a situação. Quando estas duas situações se aproximam, uma situação maior é criada. Nessa situação maior muita coisa acontece – nada é produzido.

Jornalista, jardineiro, psicólogo, agricultor, escritor e peregrino. www.oikos.org.br

 

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