Simplicidade Voluntária I

DSC_1310* Mhanoel Mendes

Quando vivenciei a Formação Holística de Base em Florianópolis, no final dos idos de 1990, turma II da Unipaz, encontrei muitas respostas aos meus questionamentos, às minhas buscas, principalmente no que tange ao ser inteiro, não fragmentado. Na questão ecológica baseada no consumismo, as respostas mais completas e alinhadas com o que buscava viver já naquela época achei no livro “Simplicidade Voluntária – Em busca de um estilo de vida exteriormente simples, mas interiormente rico”, de Duane Elgin da editora Cultrix.

O primeiro e principal conceito que me fisgou é que simplicidade voluntária não é pobreza, que conforto essencial não é passar necessidade. Pelo contrário. Adotar um estilo de vida simples é viver com mais consciência, com mais intenção e um propósito definido. É evitar distrações desnecessárias e buscar uma vida de equilíbrio, de forma contínua, dinâmica, espontânea e real.

A vida simples defendida no livro não se confunde e não é viver uma vida de pobreza, que é prejudicial e degradante, ao passo que a vida simples é intencional (a simplicidade de que trata o livro é a voluntária) e fortalecedora. Tampouco significa abrir mão do progresso, uma vez que busca tirar proveito das tecnologias mais compatíveis com um modo de vida sustentável. Também não significa um retorno ao ambiente bucólico, uma vez que é possível viver uma vida simples onde quer que se esteja, até mesmo numa grande metrópole.

Vale lembrar que estamos em níveis insuportáveis de consumo e poluição e que tudo isso vai arrebentar em nosso planeta, na mãe terra. Por isso, o novo desafio mundial consiste em adotar padrões ecológicos de vida, onde as pessoas possam compartilhar interesses, ou seja, viver de modo não egoísta, e menos orientado ao consumo e à posse de bens materiais.

Pesquisas realizadas pelo autor comprovaram que as pessoas estão se preocupando mais com os aspectos psicológicos e espirituais da vida, adotando um estilo de vida ecologicamente sustentável e mais simples, que promova o crescimento pessoal, valorize os relacionamentos e integre as pessoas na comunidade em que vive, amplificando os processos de cooperação e reforçando os laços de solidariedade.

A simplicidade voluntária requer uma mudança de mentalidade em relação ao universo, considerando-o como um lar a ser preservado, e em relação à morte, considerando-a como uma aliada, uma vez que, como temos um período finito de tempo na Terra, passamos a estar mais conscientes da necessidade de valorizarmos menos os aspectos materiais da vida, e valorizarmos mais os aspectos intangíveis. Passamos a apreciar, desse modo, de maneira ainda mais intensa, essa dádiva que é a vida.

Chegou o momento de assumirmos um efetivo controle de nossas ações e pensamentos, uma vez que boa parte deles não passa de reproduções automáticas de comportamentos enraizados na cultura da sociedade, principalmente em relação ao consumo. Trata-se de remodelar o nosso “eu”, e de ativarmos a nossa capacidade de viver uma vida mais consciente e menos escravizada por padrões externos de comportamento. Ao realizarmos essa tarefa, não só ampliaremos nossa capacidade de olhar criticamente a realidade criada pela sociedade, como também aumentaremos o leque de nossas próprias escolhas, uma vez que o futuro passa a ser mais conduzido por nós, e menos pelos “outros”.

Na próxima quinzena, quando volta a publicar outro artigo aqui no blog da Anjo, retorno ao tema para encerrar este assunto. Enquanto isso, vale a pena refletir e responder. Sempre que vou comprar algo, quais as perguntas que eu faço pra mim: “Eu quero? Eu posso?” ou “Eu realmente necessito?”

* Agricultor, jornalista, jardineiro, psicólogo, escritor e peregrino. www.oikos.org.br

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