Bajuladores

artigo272* Beto Colombo

Querido leitor, que você esteja em paz. Hoje quero refletir sobre a importância de perceber a diferença entre elogio e bajulação. Para isso, devemos estar alertas.

Uma pergunta simples e direta que devemos nos fazer de vez em quando é: quem são nossos verdadeiros amigos? Mas, como sabemos, quanto mais alta for sua posição hierárquica na sociedade, seja ela na política, na empresa e até mesmo na religião, mais difícil será de detectar, pois, quase sempre se estará rodeado por bajuladores. No popular: “puxa-saco”.

Para mim, “amigo” é aquele que diz o que eu preciso ouvir e não o que eu quero ouvir. É diferente, bem diferente, querer e necessitar. A questão fundamental nesse ponto é que muitos preferem a bajulação, o elogio, a palavra fácil que pode até nos destruir, em detrimento da verdade que nos constrói.

Trazendo um pouco dessa realidade às empresas, lembro que há um tipo de líder que  gosta de ser bajulado e aqui, nesse caso, as notícias ruins são escondidas porque poucos ou quase ninguém quer ser o portador delas. Ficam pintando um mundo colorido, ideal, sem desafios, até que as más notícias, nuas e cruas, tomem tal amplitude que não possam mais ser escondidas. Às vezes a situação torna-se irreversível. Se tivesse vindo à tona no início, era totalmente reversível, mas diante da conivência e da bajulação, transformou-se num monstro.

Gerentes, líderes, empresários bem sucedidos no sentido mais amplo do sucesso são assessorados por pessoas diretas, competentes e que dizem a verdade, não importando o quão desagradável ela possa ser. É melhor uma situação drástica com um fim reparador, do que uma situação drástica postergada, mas que vai levar a um desfecho destruidor.

Nas empresas públicas e nas organizações sem fins lucrativos, esse exemplo é crasso, pois os administradores estão mais sujeitos a esse tipo de pessoa. E nelas, a ação dos bajuladores produz resultados muito mais graves. São vereadores, prefeitos, deputados, governadores, presidente que são recebidos com jantares, presentes, ou seja, são entretidos e levados a ver somente o lado mais brilhante do empreendimento em questão. Carl Jung nos lembra que quanto maior a luz, maior a sombra.

No livro Sagrado, encontramos em Mateus, 15:8, que um escriba falou a Jesus: “Mestre, seguir-te-ei para onde quer que vás”. Ou seja, bajulação. E Jesus acabou com a hipocrisia dos fariseus ao dizer assim: “Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim”.

Talvez, o importante para nós é conseguir distinguir com sabedoria a diferença entre um elogio honesto de uma bajulação danosa, para mim é melhor receber uma verdade que dói do que uma bajulação que destrói. É assim como o mundo me parece hoje. E você, o que pensa sobre bajulações?

* Empresário, Especialista em Filosofia Clínica, Presidente do Conselho da Anjo Tintas.

Compartilhar
Esta entrada foi publicada em Artigos e marcada com a tag . Adicione o link permanente aos seus favoritos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *