Definição

DSC_9195* Mhanoel Mendes

Não sei você, mas eu passei boa parte do meu tempo de criança e juventude atrás de conceitos, de definições. Queria saber de tudo. Do que á feito a matéria, como surgiu o universo, de onde viemos, pra onde vamos, enfim, qualquer objeto, pensamento ou fato virava um grande tema, uma gostosa discussão.

Trinithy, no filme Matrix, falou ao Neo: ”Tua curiosidade te trouxe até aqui”. Por isso, antes de dar prosseguimento a este meu artigo, quero deixar claro que vejo amazônica diferença entre curiosidade e definição.

A curiosidade, por ora, é a mola propulsora do conhecimento, do avanço social, da criatividade e das invenções. Até aí, tudo bem. O curioso é um sujeito em extinção. Mas muito necessário na sociedade. Sem o curioso estaríamos perdidos.

Agora passemos à definição. Você pode falar tudo sobre uma pessoa, cor dos olhos, altura, filiação, onde mora, enfim, mas enquanto não definir qual a sua profissão, parece que, para muitos, não define quem é o outro; como se meu trabalho definisse quem eu sou.

De acordo com o dicionário Aurélio, a definição de “definição” é “Explicação clara e breve. Decisão em matéria duvidosa. Exposição dos diversos lados pelos quais se pode encarar um assunto”. Observe que o conceito é aberto, faz um comentário sobre definição, mas não fecha assumindo um caráter hermético.

Pra mim, por ora, quem se define, se limita. Define-se, literalmente dá um fim, fecha.

Parece que nossa mente interessada e curiosa da infância dá lugar a uma outra mente que não quer se esforçar muito, por isso, vive buscando fórmulas mágicas, definições para encarar a vida. Esquece que para cada situação é uma forma de agir, de pensar, de ser.

É isso, ao nos definirmos, nos limitamos.

Tenho encontrado em minha jornada muitas pessoas que querem logo uma definição minha de profissão, de postura política, de religião. Enquanto não digo “sou isso”, elas parecem que não me reconhecem; aguardam ansiosamente pela resposta fechada e parcial.

Faz muito sentido pra mim tudo isso hoje. Não consigo nem me definir como profissional, pois tenho habilidade para fazer algumas atividades sem me fechar em uma específica. Quando me defino, sou jornalista, pronto! Já não há mais espaço para o poeta, o escritor, o jardineiro, o músico…

Eu posso continuar com minha curiosidade, em busca até de definições presentes, momentâneas das coisas. Pra mim, o que não é aconselhável fazer é se fixar nesta definição e tomá-la como verdade única e imutável.

* Jornalista, escritor, psicólogo, adora trabalhar na terra e peregrino – www.oikos.org.br

 

 

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