A Pedra

pedras* Mhanoel Mendes

Há algum tempo li um artigo do querido amigo Beto Colombo intitulado resiliência. Palavra estranha, diferente, mas muito importante para cada um de nós. Depois daquela ocasião, fiquei mais atento aos detalhes e comecei a colecionar diferentes formas de conceituar esta palavra.

O prêmio Nobel, Eduardo Galeano, tem uma frase que acho hour concur: “Não importa o que fizeram de você, importa sim aquilo que você fez com aquilo que fizeram de você”. Resumindo, pra mim, por ora, resiliência é fazer do limão uma limonada.

Esta semana o amigo Kaká Werá postou uma poesia que tem muito a ver com resiliência. Diz assim a poesia intitulada A Pedra, de Antonio Pereira: O distraído nela tropeçou. O bruto a usou como projétil. O empreendedor, usando-a, construiu”.

Isso não é impressionante? Ao invés de ficar nos cantos choramingado como criança, o adulto apareceu e enfrentou. Assim, segue a poesia: “O camponês, cansado da lida, dela fez assento. Para meninos, foi brinquedo. Drummond a poetizou”. Tinha uma pedra no caminho, no caminho tinha uma pedra…

E prossegue o poema. “Já, David matou Golias, e Michelangelo extraiu-lhe a mais bela escultura…” Nossa, quanta diferença, um faz uma coisa e o outro faz outra, mas o objeto continua sendo o mesmo: uma pedra!

Vale lembrar, ensina o poema, “em todos esses casos, a diferença não esteve na pedra, mas no homem! Não existe “pedra” no seu caminho que você não possa aproveitá-la para o seu próprio crescimento. Cada instante que passa é uma gota de vida que nunca mais torna a cair, aproveite cada gota para evoluir… Das oportunidades saiba tirar o melhor proveito, talvez não teremos outra chance”.

Assim, não poderia deixar de lembrar do poeta lusitano Fernando Pessoa: “Pedras no meu caminho? Guardo todas. Um dia vou construir meu castelo”

* Agricultor, jornalista, jardineiro, psicólogo, escritor e peregrino – www.oikos.org.br

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