O Mecânico e o Estratégico

* Beto Colombo

Queridos leitores, que vocês estejam em paz. Como alguns de vocês já devem saber, estou passando por um grande momento em minha existência. Transferência da presidência da Anjo, posse na presidência do Conselho da empresa, primeiro neto. Enfim, isso tudo tenho vivenciado sóbria e alegremente.

Mas, em minhas reflexões passadas, antes dessas decisões, meditava: do que mesmo estou parando? Tinha claro o que queria, que era sair da vida diária da empresa e entrar para uma outra seara.

A administração do dia a dia, as decisões corriqueiras, o envolvimento com as questões que conceituei como “mecânicas” já não me entusiasmavam tanto quanto antes a ponto de perceber que eu já estava fazendo mais mal para a organização do que bem. Este foi o limite. Foi o ponto em que decidi deixar o meu cargo para que outra pessoa mais entusiasmada o desempenhasse com mais competência e dedicação.

Mas o que me anima, então? Muita coisa me anima. E a empresa, o que me deixa com a vontade de um jovem recém-formado é organizar o conselho consultivo da Anjo. Aqui, nesta nova função dentro da mesma corporação, sinto-me como uma criança que dorme pela primeira vez na casa da árvore, como aquela pessoa que conhece a praia na adultice, enfim, me sinto renovado, pleno, leve e cheio de motivação.

Por quê?, pergunto-me. E de chofre vem a resposta: continuo na empresa, é verdade, como nunca. Só que agora na parte estratégica, no setor intelectual, na área sutil. De vez em quando me pego pensando estrategicamente sobre questões jamais refletidas antes, pois tinha que me focar no mecânico.

Não quero dizer com isso que o trabalho mecânico não tem valor ou tem menos ou mais valor. Pelo contrário. O trabalho mecânico é o que vai dar suporte ao estratégico, pois, de nada adianta pensar se não há uma equipe comprometida para executar, não é mesmo? Enfim, um complementa o outro.

Como eu me sinto? Sinto-me como o Papa Emérito Bento XVI, na visão do Papa Francisco: “Ele é como um avô, está sempre ali. E como é bom ter um avô em casa, pois sempre que necessitar, vou até ele e peço conselhos”. Lembrando que isso é assim para mim hoje.

* Empresário, Especialista em Filosofia Clínica, Presidente do Conselho Consultivo da AnjoBlog Beto Colombo

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