Inteligência & Vontade

* Mhanoel Mendes

Tenho dois casais de filhos. Os homens, os mais velhos, são o Lucas Luís e o Vitor Augusto. As mulheres são Giulia e Gabriela. É sobre estas, Giu e Bibi, como as chamamos carinhosamente, que quero discorrer meu artigo de hoje.

Não foram poucos os dias em que minha companheira, De Wotmeyer, e eu nos digladiamos com elas. Era um tal de não faça isso, não faça aquilo e, como resposta, tudo continuava igual. Os conselhos, as palavras eram tão repetidas que chegavam a nos levar a exaustão.

Parem de tomar refrigerante que só faz mal, e elas continuavam a beber. Não comam estas bolachas que não alimentam, e elas continuavam a comer. Não façam isso, não façam aquilo, enfim, de tantos não, elas mantinham a sina e nos confrontavam.

As vezes que também dizíamos para comerem mais frutas como maçã, pois fazem bem para a saúde, inclusive bucal e da garganta, elas não comiam. Brincávamos até de fazer vitamina de abacate, mas sem abacate.

Comer saladas, então, nem imagine. Às vezes era contado o número e o tamanho das folhas para cada uma. Cheguei, inclusive, a plantar cenoura em nosso espaço, o Oikos, porque elas diziam que só comiam cenouras que não eram compradas.

Recentemente tivemos um aprendizado muito interessante. Depois que paramos de pegar tanto no pé delas e dizer façam isso ou façam aquilo, passamos a dar o exemplo, parece que algo ocorreu. Houve uma grande transformação: a Giu começou a comer frutas e, surpreendentemente, a tomar vitamina de abacate com abacate. Encheu os pneus da bicicleta e começou a pedalar.

A Bibi, a mais nova, há meses disse que não tomaria mais refrigerante e tem mantido essa decisão. Outro dia, não sei se por esquecimento ou por tentação, tentou tomar uma laranjinha e acabou deixando o líquido no copo. Recentemente, na mesa do almoço, ela comunicou toda a família de mais uma decisão: não vou mais comer ovo frito.

Nós, seres humanos, nos diferenciamos de outros animais por diversos fatores, mas dois parecem se destacar, que são a inteligência e a vontade. Muitas vezes temos inteligência para saber que frutas, verduras, água ou suco, exercícios, enfim, tudo isso faz parte de um conjunto de práticas que nos mantém saudáveis em todos os sentidos. Mas, às  vezes, não temos vontade para isso.

Giu, com 15 anos, e Bibi, com 10 anos, pra mim, por ora, são provas incontestes de que a informação e a vontade são prerrogativas importantes para jovens e crianças sãs. E isso é a esperança de uma geração de adultos mais saudáveis e alinhados com a vida.

* Psicólogo e escritos www.oikos.org.br

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