Puxa-Saco

* Beto Colombo

Querido leitor e querida leitora, hoje nosso tema é bajuladores. Uma pergunta simples e direta que podemos nos fazer de vez em quando é: quem são nossos verdadeiros amigos? Parece-me que quanto mais alta for sua posição hierárquica, mais difícil será de detectar, pois quase sempre se estará rodeado por bajuladores. No popular: “puxa-saco”.

Para mim, “amigo” é aquele que diz o que eu preciso ouvir e não o que eu quero ouvir. A questão fundamental nesse ponto é que muitos preferem a bajulação, o elogio desonesto, a palavra fácil que às vezes destrói, em detrimento da verdade que em geral nos constrói.

Trazendo essa realidade às empresas, lembro que há um tipo de líder que gosta de ser bajulado. Para este, as notícias ruins são escondidas porque poucos ou quase ninguém quer ser o portador delas. Ficam pintando um mundo colorido ideal, até que as más notícias não podem mais ser escondidas, tornando-se irreversíveis. Gerentes, líderes, empresários bem sucedidos no sentido mais amplo do sucesso são assessorados por pessoas diretas, competentes, que dizem a verdade, não importando o quão desagradável ela possa ser.

Nas empresas públicas e nas organizações sem fins lucrativos, esse exemplo é crasso, pois os administradores estão mais sujeitos a esse tipo de pessoa. E nelas, a ação dos bajuladores produz resultados muito mais graves. São vereadores, prefeitos, deputados, governadores, presidentes que são recebidos com jantares, presentes, ou seja, são entretidos e levados a ver somente o lado mais brilhante do mandato.

Carl Jung nos lembra que quanto maior a luz, maior a sombra. E o mestre Jesus comenta em Mateus 15:8: “Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim”, ao se referir a fala de um escriba que afirmava “Mestre, seguir-te-ei para onde quer que vás”.

Eis o desafio: distinguir a diferença entre um elogio honesto de uma bajulação danosa. Para mim, por ora, é melhor receber uma verdade que dói do que uma bajulação que destrói. Isso é assim para mim hoje. E você, o que pensa sobre os puxa-sacos?

* Empresário, Especialista em Filosofia Clínica, Diretor Presidente da Anjo
www.betocolombo.com.br

Compartilhar
Esta entrada foi publicada em Artigos. Adicione o link permanente aos seus favoritos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *